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Estamos todos habituados à proapaganda, nos meios de comunicação, a respeito da presença do agronegócio em nossas vidas e seu sucesso como atividade econômica.O livro de Luiz Felipe de Farias nos apresenta as faces menos visíveis e mais contraditórias desse processo, com base em pesquisa na cidade de Sorriso, Mato Grosso.Inspirado teoricamente em Henri Lefebvre, David Harvey e José de Souza Martins, o autor escolhe como foco de pesquisa um ângulo pouco estudado a formação das chamadas 'cidades do agronegócio, entendendo-as como espaços que condensam, a partir das experiências dos sujeitos que as constro-em, diversas contradições. Partindo do suposto de uma forte integração a fluxos internacionais de pessoas, mercadorias e capitais que lhes permitem reter uma parcela significativa do excedente econômico produzido, a atenção se dirige, no entanto, para as alterações dos modos de vida e desdobramentos do encontro entre migrantes de diversas origens. Mostra como entre 'gaúchos' e 'maranhenses' se desenrola o drama das estigmatizações, das disputas por territórios, da marginalização de agricultores familiares nas zonas rurais e de assalariados nas zonas urbanas. Apoiado em fontes documentais, estatísticas e entre vistas, o autor desvenda camadas do processo de constituição de um espaço em que se revelam uma forte segregação social, um encontro conflituoso de etnias e novas formas de exploração, juntando pedaços de um Brasil diverso e desigual.Leonilde Servolo de Medeiros Sobre o autor: Luiz Felipe F. C. de Farias é graduado em Ciências Sociais e Filosofia e mestre em sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo (USP). Formou-se politicamente junto a movimentos de luta por terra e moradia no campo e na cidade, no interior dos quais nasceram as perguntas que movem este livro.